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Aquela picadinha incômoda para medir a glicose pode estar com os dias contados. Em um futuro não muito distante, óculos podem ter a capacidade de medir os níveis de glicose, álcool e vitaminas presentes no seu sangue. Para que essas informações sejam processadas, basta apenas que uma lágrima entre em contato com um dispositivo presente em uma das plaquetas de seus óculos. A leitura é feita e transmitida por bluetooth para um computador ou mesmo celular.

Dispositivo acoplado aos óculos mede glicose, álcool e alguns tipos de vitaminas contidos na lágrima – Foto: Divulgação/IFSC-USP

Este é um trabalho de pesquisa realizado na Universidade de Califórnia – San Diego (EUA) e que teve a participação da pesquisadora do IFSC/USP, Laís Brazaca. Com a intenção de aprimorar e compartilhar os avanços sobre biossensores para o diagnóstico médico que vinha desenvolvendo no Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano/IFSC), liderado pelo Prof. Valtencir Zucolotto.

“Nosso grupo de pesquisa é internacionalizado e praticamente todos os alunos de Pós-graduação ou Pós-docs têm realizado estágio em grupos de excelência no exterior”, afirma o prof Zucolotto, coordenador do GNano.

Como funciona?
Segundo Laís, os óculos não analisam todas as taxas de uma vez. O usuário precisa escolher o tipo de medição que deseja fazer – álcool, vitamina e glicose – e inserir o dispositivo adequado na plaqueta dos óculos. Essa necessidade de troca ocorre porque cada dispositivo contém uma enzima diferente que analisa uma substância específica.

E a lágrima? Não é preciso chorar para conseguir medir as taxas. A pessoa pode apenas usar um pequeno bastão com um produto que estimula a lacrimação. Quando a lágrima escorre, entra em contato com o biossensor, então ocorre uma reação química, que gera uma variação na corrente de eletrodo. Esse sinal é emitido por uma ferramenta instalada nas hastes dos óculos e as informações recolhidas são enviadas para o computador ou celular.

Com um artigo científico já publicado sobre este dispositivo, onde Laís Brazaca e o Prof Zucolotto são co-autores, o trabalho da jovem cientista e de seus colegas está disponível na Universidade de Califórnia – San Diego para que outros pesquisadores possam dar continuidade ao mesmo, aprimorando-o ou abrindo portas para dar sequência a novos trabalhos similares. Apaixonada pela nova frente de trabalho, Laís Brazaca segue seu percurso acadêmico agora no Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), sob a coordenação do Prof. Emanuel Carrilho, atual diretor daquela Unidade.

Fonte: USP